 | No último dia 27 de maio, o Programa de Educação Tutorial (PET) de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) promoveu mais uma edição do "PET Discute-Debate", tendo como tema as idéias defendidas pelo Movimento O Sul é o Meu País. Participaram do evento em defesa dos ideais Sulistas o presidente do Movimento O Sul é o Meu País, James Fioravanti, sendo que a defesa da unidade brasileira, ficou a cargo do professor e doutor Alexandro Dantas. |
Com o auditório lotado, os estudantes tiveram oportunidade ímpar de discutir a grande maioria das questões que envolvem as reivindicações do direito de autodeterminação Sulista. Segundo James Fioravanti, a sua mensagem inicial ao grupo, não foi em defesa de um Sul maravilha, "mas sim esclarecimentos sobre a situação difícil em que se encontra o povo Sul-Brasileiro, o que lhe empurra a um engajamento em busca de seu sagrado direito de liberdade, frente ao estado brasileiro". Para dar embasamento em sua defesa do Povo Sulista, Fioravanti citou dados recolhidos por um professor da própria UFPR, que apontam que 9% da população paranaense vive como indigente. "É duro para um Sulista orgulhoso expor nossas fraquezas, mas é preciso tornar claro o porquê da nossa luta e creio que só assim conquistaremos nossos direitos", disse James. Ele também lembrou que o Povo Sulista está assumindo o legado da sua história. "Nosso Movimento, com este nome existe a apenas 17 anos, porém, com outros nomes, estes ideais já existem à mais de 200 anos. A causa é a mesma ontem e hoje: o centralismo crônico do estado brasileiro. Trata-se de uma união que de união não tem nada, pois de fato, continua funcionando no Brasil um estado colonialista. É por isso que nunca nos perguntaram se queríamos nos unir ao Brasil, pois sabem que devido a este injusto sistema, nossa resposta seria com toda certeza negativa", afirmou ele.
Na opinião de James, o centralismo de Brasília gera ínumeros males ao povo Sulista. Porém, devido ao pouco tempo que teve para expor os ideais do Movimento, ateve-se principalmente sobre o centralismo tributário, uma das principais razões do empobrecimento da gente do Sul. "Apontei com dados os recordes de nossa tributação, principalmente sobre o trabalhador, mas também sobre empresários e funcionários públicos, inclusive os que laboram nas universidades. Trata-se de um sistema profundamente explorador", disse. Sobre este assunto ainda, salientou também com dados que estes recordes de arrecadação se dão apenas para o governo federal, pois nas esferas estaduais e municipais os reajustes e repasses são quase nulos. Os municípios estão na miséria.
O professor Alexandro Dantas, na sua tarefa de defender a unidade brasileira, começou questionando os dados apresentados por James, porém, sentindo que eles estavam bem embasados, inclusive por pesquisas da própria UFPR, decidiu deixar de lado esta estratégia. Preferiu fazer uma volta ao passado comentando sobre o caráter escravagista dos Farroupilhas. Para sua surpresa estava presente ao debate o secretário geral do Movimento O Sul é o Meu País, historiador e pesquisador Carlos Zatti (uma das autoridades no assunto no Brasil), que com dados concretos pôs por terra este argumento de Dantas, acusando com provas, que foi o próprio Brasil, através de seu comandante em chefe Caxias, quem não libertou os escravos, descumprindo as resoluções do tratado de Ponche Verde. "Caxias foi o verdadeiro escravagista", enfatizou Zatti.
Durante o debate, a primeira pergunta foi feita pelo presidente de uma entidade em defesa da "raça negra", que questionou sobre a questão racial, o que foi de pronto respondida pelo presidente James Fioravanti, afirmando que o movimento luta por direito civis e políticos e a questão racial não tem espaço nestas discussões, pois se trata de rever o papel do estado. "Tais discussões não tem espaço em nosso movimento, por que esta entidade é composta e luta pelo direito dos seres humanos, não fazendo distinção de credo, etnia e o que algumas pessoas sem conhecimento de causa chamam de raça". Inclusive, afirmou que temos em nosso movimento pessoas de origem afro-sul-brasileira, por que todos os integrantes da diversidade étnica Sulista sentem na pele as injustiças a que estão submetidos. "Está aqui presente no nosso debate o companheiro Ronaldo Rech e membro do Movimento. Tenho certeza que ele, assim como eu, ou qualquer outro membro do Movimento, luta pelos mesmos ideais, sem se importar com cor da pele", afirmou James.
Durante os debates, a maioria do que deveriam ser perguntas, na verdade eram opiniões pessoais contra ou a favor a tese de um Sul Livre. Porém, um dos participantes arguiu sobre o conceito nação, onde tanto Fioravanti, quanto Dantas concordaram que o elemento necessário para se ter uma nação é a vontade explicita do povo. James foi mais além, citando inclusive que a ONU e a UNPO também assim o consideram. "Para estas entidades, uma nação ou povo significa um grupo de seres humanos que têm vontade de ser identificados como uma nação e povo, e estão unidos por uma herança comum", expicou James.
Na Declaração Universal dos Povos, está muito clara a definição de que "qualquer coletividade humana que tenha referências comuns de uma cultura e de uma tradição histórica, desenvolvidas em um território geograficamente determinado, constitui um Povo" e qualquer povo tem direito a identificar-se como tal. De acordo com esta declarção, "nenhuma outra instância pode substituí-lo para defini-lo, pois qualquer povo tem o direito de afirmar-se como Nação. A existência de uma Nação se manifesta pela vontade coletiva de seus membros a auto-organizar-se política e institucionalmente e define de uma forma intrínseca e completa, os direitos dos povos e marcar pautas para exercê-los baseada na sua situação política e jurídica atual. Qualquer povo tem o direito permanente de autodeterminação de maneira independente e soberana. E por fim, "qualquer povo tem direito a ser plenamente reconhecido como tal no concerto das Nações e a participar, em igualdade de voz e voto nos trabalhos e decisões de todos os organismos internacionais representativos das diferentes vontades soberanas".
Sobre a questão da inviabilidade legal de uma possivel secessão, devido à clausula pétrea da constituição (da indissolubilidade da federação brasileira), Fioravanti lembrou aos presentes que o direito natural e as modernas democracias mundiais concordam com a verdade histórica de que todo poder emana do povo. "Todos estes países, inclusive o Brasil, asseguram em suas constituições o direito de autodeterminação dos povos, que hoje é base legal do ordenamento juridico internacional. Este direito unido aos direitos civis e políticos inerentes a todos os cidadãos da coletividade humana, dão suporte aos povos para que possam, com liberdade, decidir o seu futuro, tanto a nível interno, como internacional". afirmou.
"Mas mesmo assim, se o Brasil não respeita o direito de autodeterminação e nos nega o direito de fazer um plebiscito para separar o Sul. Então que pelo menos se faça um plebiscito consultivo, de forma que se possa saber a verdadeira vontade do nosso povo", argumentou Fioravanti. Perguntado sobre, se a vontade Sulista sair vencedora, o que aconteceria depois. "Bem, não há uma receita de bolo e eu nunca disse que nossa tarefa seria fácil. Mas como eu disse, acredito na vontade do povo e que as vias democráticas são os caminhos certos para se conseguir por em prática o direito de autodeterminação. Expressa essa vontade do nosso povo, me parece que o próprio Brasil teria em mãos um instrumento legal e saberia com toda certeza que nosso povo não mais gostaria de continuar sob o jugo do estado brasileiro", disse. "Parece-me que o próximo passo seria sentarmos com o Brasil e negociarmos um novo pacto, onde a vontade soberana do nosso povo seria nosso principal argumento a favor do que deveriamos ser no futuro: um país independente, ou uma nova forma de federação com o estado brasileiro", enfatizou.
Outros membros da diretoria do Movimento O Sul é o Meu País estavam no evento e participaram perguntando ou até respondendo, como o jornalista Hélio Ribas Micheletto, que em diversos momentos ajudou nos debates, esclarecendo e argumentando favorável ao Sul Livre. Fioravanti, agradeceu ainda o Programa de Educação Tutorial (PET) de Engenharia Elétrica, pelo convite e disse continuar a disposição da UFPR para quaisquer outras informações a respeito da entidade.
O PET de Engenharia Elétrica é um programa acadêmico direcionado a alunos de graduação selecionados pelas Instituições de Ensino Superior em que estão matriculados. Os integrantes do PET, organizados em grupos, recebem uma orientação tutorial que procura envolver-lhes num processo de formação integral, propiciando-lhes uma compreensão abrangente e aprofundada de sua área de estudos. |