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Compreenda os conflitos no Cáucaso PDF Imprimir E-mail
12 de agosto de 2008

Por Adiuson Baran *

 

As agências internacionais de notícias mostram-nos a nova onda de violência que tomou conta do explosivo Cáucaso, do qual fazem parte os países: Rússia, Geórgia, Turquia, Armênia, Azerbaijão e Irã. Nesta região também estão presentes as Repúblicas Autônomas de Karatchais-Tcherkesses, Kabardino-Balkária, Daguestão, Inguchétia, Ossétia do Norte e Chechênia (Federação Russa); Ossétia do Sul e Abkhásia (Geórgia); parte do Curdistão (Turquia, Armênia, Irã e Azerbaijão); Nagorno-Karabakh (disputado por Armênia e Azerbaijão).

 

Os ossetianos são uma etnia originária das planícies russas ao sul do Rio Don. Eles têm identidade e cultura diferentes da dos georgianos e uma língua própria. No século 13, as invasões mongóis empurraram a etnia para as montanhas do Cáucaso, e os ossetianos se estabeleceram ao longo da atual fronteira da Geórgia com a Rússia.
 
O conflito entre Geórgia e Ossétia do Sul começou em 1922, quando Josef Stalin (1879-1953) transformou a região separatista em Região Autônoma da República Socialista Soviética da Geórgia e deu à área a planície adjacente, incluindo Tskhinvali, habitada principalmente por georgianos.
 
Em 10 de novembro de 1989, em meio ao colapso URSS, a Ossétia do Sul declara sua autonomia em relação à República Socialista Soviética Georgiana, gerando um conflito de três meses. Em 10 de novembro de 1989, o Congresso de Deputados Populares da região proclamou sua conversão em República Autônoma (dentro da Geórgia), decisão que o Parlamento georgiano declarou inconstitucional.
 
Em 20 de setembro de 1990, os deputados proclamaram a soberania e a criação da República da Ossétia do Sul, de maioria cristã, que planeja incorporar-se à Ossétia do Norte, de maioria muçulmana, com a qual se identifica étnica e culturalmente. Este acontecimento dá início a um novo conflito armado que perdura até 1992.
 
Em Junho de 1992, líderes da Rússia, da Geórgia e da Ossétia do Sul reúnem-se em Sochi (cidade turística da Rússia), assinam um armistício e acertam a criação de uma força de paz (composta por ossetas, georgianos e russos ).
 
Em novembro de 1993, a Ossétia do Sul elabora sua própria Constituição.
 
Em novembro de 1996, a Ossétia do Sul elege seu primeiro presidente e em dezembro de 2001, elege Eduard Kokoity como presidente.
 
Em 2002, Kokoity pede ao governo russo que reconheça a independência da região e que a anexe. Toda a tensão entre Ossétia do Sul, Rússia e Geórgia ganhou força depois da Revolução Rosa, que levou Mikhail Saakashvili à Presidência da Geórgia, em janeiro de 2004. Saakashvili, aliado dos Estados Unidos, prometeu reconstruir o país e aproximá-lo do Ocidente, o que desagradou à Rússia.
 
Em novembro de 2006, através de um referendo extra-oficial, 90% da população da Ossétia do Sul aprova o sua independência.
 
Em março de 2008, a Ossétia do Sul pede reconhecimento internacional de sua independência aproveitando o apoio que o Ocidente deu à secessão de Kosovo da Sérvia (aliada da Rússia), porém, nenhum país a reconhece.
 
A tentativa da Geórgia de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), apesar de mal sucedida, irritou a Rússia que é contra a expansão da Otan para o leste, e leva o seu parlamento a conclamar o governo russo a reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, outra região separatista.
 
A escalada da violência entre a Geórgia e os separatistas da região de Ossétia do Sul evoluiu para violentos combates nos últimos dias e o envolvimento da Rússia, que enviou tanques para a região em apoio aos rebeldes, suscitou temores de uma guerra na volátil região do Cáucaso. A Ossétia do Sul tem tido um governo próprio desde que lutou com a Geórgia pela sua independência em 91 e 92. Os separatistas contam com o apoio político e financeiro da Rússia e 70.000 ossetas sulinos têm cidadania russa. Informações extra-oficiais divulgaram que neste último combate já morreram mais de 3.000 pessoas.
 
Há vários motivos para o atual conflito além dos motivos históricos, culturais e étnicos. A região é estratégica tanto para Rússia quanto para o Ocidente, pois a Geórgia está tornando-se importante ponto de passagem de energia.
 
Sendo pragmático, penso que a melhor solução para este conflito seja o reconhecimento das independências da Ossétia do Sul e da Abkházia pela Geórgia, respeitando o direito dos povos à sua autodeterminação, mesmo que estas regiões venham a fazer parte da Rússia (um país autocrático, fechado ao Ocidente, que costuma envenenar seus opositores e planejar atentados através de seus serviços secretos; porém, que possui enormes reservas de hidrocarbonetos dais quais a Europa é refém). E em troca a Geórgia entraria para a OTAN sem os entraves causados pela Rússia.
 
Se estas independências forem reconhecidas internacionalmente, novas declarações de independência podem surgir no Cáucaso a exemplo do que ocorreu nos Bálcãs. Caso contrário, se o conflito se intensificar pode levar a uma grande guerra envolvendo vários países.

 

(*) ADIUSON LUIZ BARAN, paranaense, é membro do Conselho Fiscal do Movimento O Sul é o Meu País.

 

Nota da publicação: Alguns dados apresentados pelo autor (como números de mortos no conflito) foram veiculados pela imprensa e, por isso, podem estar imprecisos.

 
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